“Ide pelo mundo inteiro e anunciaia Boa-Nova a toda a
criatura!” (Mc 16,15)
A Igreja existe para evangelizar. Em meio às alegrias e
esperanças, tristezas e angústias do ser humano de cada tempo, notadamente dos
que sofrem (cf. GS, n. 1), ela anuncia, por palavras e ações, Jesus Cristo,
Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6).
Para cumprir sua missão, a Igreja, impulsionada pelo
Espírito Santo, acolhe, reza a Palavra que salva, escuta os sinais dos tempos,
revê práticas pastorais e discerne objetivos e caminhos. Expressão desta
incessante atividade missionária da Igreja no Brasil, as Diretrizes Gerais da
Ação Evangelizadora, aprovadas na 49ª Assembleia dos Bispos, são a tentativa de
escutar os sinais dos tempos e os desafios que neles se manifestam. Desejam ser
uma
resposta aos desafios que emergem em nosso tempo de
transformações radicais na totalidade da existência, que, às vezes, geram perplexidade,
ameaçam a vida em suas diversas formas e levam o ser humano a se afastar dos
valores do Reino de Deus. Elas apontam um desafio imenso, pois, em cada
indicação, pedem o esforço de não nos assustarmos diante das Diretrizes Gerais
da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011 – 2015 transformações, mas,
confiantes no Crucificado-Ressuscitado que tudo venceu, olharmos para o
Horizonte novo, assumindo corajosamente o que a graça de Deus nos pede para os
dias de hoje.
Assim, voltados para o Senhor (Cap. 1), as Diretrizes não tiram
os pés do chão da realidade (Cap. 2). Ao contrário, identificam as urgências
(Cap. 3) e propõem caminhos para seu enfrentamento (Cap. 4). Em espírito de
comunhão, oferecem, por fim, indicações para que as urgências sejam
concretizadas nos planejamentos das Igrejas particulares (Cap. 5). São cinco as
urgências apontadas: Igreja em estado permanente de missão; Igreja: casa da
iniciação cristã; Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral;
Igreja: comunidade de comunidades; Igreja a serviço da vida plena para todos.
Elas indicam um modo pedagógico de expressar um único e grande passo ao qual
toda a Igreja é chamada em nossos dias: reconhecer-se em estado permanente de
missão. Isso implica o anúncio e o pré-anúncio de Jesus Cristo, possibilitando
aos que não O conhecem ou que d’Ele se afastaram ouvir o núcleo da Boa Nova da
Salvação.
Aproximar Jesus Cristo do coração de pessoas e grupos implica, por
sua vez, aproximar também a comunidade dos discípulos missionários, construindo
e fortalecendo uma intensa rede de comunidades cada vez mais próximas dos
lugares onde as pessoas vivem, se alegram e sofrem. Em tudo isso, a Igreja no
Brasil se reconhece comprometida com a vida, em todas as suas manifestações,
especialmente a vida ameaçada.
Como partes de um único passo, as urgências necessitam ser
assumidas em seu conjunto, não cabendo, durante os planejamentos locais, a
escolha de uma ou outra. Todas são igualmente urgências. Optar por algumas e postergar
outras significa afetar o conjunto.
As Diretrizes são um convite para que toda pessoa batizada, como
discípula-missionária, assuma o mandato de Jesus Cristo: “Ide pelo mundo
inteiro e anunciaia Boa-Nova a toda a criatura!” (Mc 16,15). Elas poderão ecoar
na Boa-nova na medida em que cada Igreja Particular torná-las visíveis, através
dos planejamentos pastorais, do plano pastoral. Através das cinco urgências, a
Igreja do Brasil caminhará na mesma direção. Nos planejamentos locais, a partir
das Diretrizes, as urgências se concretizarão em cada um dos específicos
contextos. Ficam, assim, respeitadas duas características indispensáveis da
Igreja: a unidade e a diversidade. Nestes tempos em que ainda estamos
aprendendo a saborear as riquezas da Conferência de Aparecida, celebrando o Jubileu
de Ouro do Concílio Vaticano II e nos preparando para o Sínodo sobre a Nova
Evangelização, reafirmamos que estas Diretrizes foram elaboradas no desejo de
que, cada vez mais, se creia que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que,
crendo, se tenha a vida em seu nome (cf. Jo 20,31). Quer no acolhimento destas
Diretrizes, quer nos planejamentos subsequentes, haveremos de reconhecer que o
ponto de partida será sempre o testemunho: “O homem contemporâneo escuta com
melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres; ou, então, se escuta os
mestres, é porque eles são testemunhas”. Sejamos, pois, testemunhas do
Ressuscitado. É para isso que Ele nos envia.
+ Leonardo Ulrich Steiner
Bispo prelado de São Félix do Araguaia
Secretário Geral da CNBB
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