Beatificação: O cardeal arcebispo de Salvador (BA),
dom Geraldo Majella Agnelo anunciou, na manhã desta quarta-feira, 27, a
beatificação da irmã Dulce. O pronunciamento foi feito na sede das Obras
Sociais Irmã Dulce, em Salvador, e o cardeal informou que até o fim do
ano será conhecida a data da cerimônia de beatificação.
Para ser considerada beata, foi
necessária a comprovação da existência de um milagre atribuído a
religiosa; fato que aconteceu esta semana em Roma. O processo ainda
precisa ser assinado pelo papa para ser concluído.
De acordo com dom Geraldo, a religiosa é exemplo para os cristãos e a sua história de vida é o que justifica a beatificação e o processo de canonização. “Todo santo é um exemplo de Cristo, como foi o caso dela (Irmã Dulce); aquela dedicação diuturna durante toda a vida aos pobres e sofredores”.
De acordo com dom Geraldo, a religiosa é exemplo para os cristãos e a sua história de vida é o que justifica a beatificação e o processo de canonização. “Todo santo é um exemplo de Cristo, como foi o caso dela (Irmã Dulce); aquela dedicação diuturna durante toda a vida aos pobres e sofredores”.
Irmã Dulce é a primeira baiana a
tornar-se beata e agora está a um passo da canonização. O título de
santa só poderá ser conferido após a comprovação de mais dois milagres
intercedidos pela religiosa e reconhecidos pelo Vaticano.
A causa da beatificação de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro do ano 2000 pelo próprio dom Geraldo Majella. Desde junho de 2001, o processo tramita na Congregação para a Causa dos Santos no Vaticano.
A causa da beatificação de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro do ano 2000 pelo próprio dom Geraldo Majella. Desde junho de 2001, o processo tramita na Congregação para a Causa dos Santos no Vaticano.
História
Segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes e de Dulce Maria de Souza
Brito Lopes Pontes, ao nascer em 26 de maio de 1914, Irmã Dulce recebeu
o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. O bebê veio ao mundo
na rua São José de Baixo, 36, no bairro do Barbalho, na freguesia de
Santo Antônio Além do Carmo. A menina Maria Rita foi uma criança cheia
de alegria, adorava brincar de boneca, empinar arraia e tinha especial
predileção pelo futebol - era torcedora do Esporte Clube Ypiranga, time
formado pela classe trabalhadora e excluídos sociais que foi o primeiro a
romper com o perfil elitista do esporte baiano no início do século XX.
Aos sete anos, em 1921, perde sua mãe Dulce, que tinha apenas 26 anos.
No ano seguinte, junto com seus irmãos Augusto e Dulce (a querida
Dulcinha), faz a primeira comunhão, na Igreja de Santo Antônio Além do
Carmo. Aos 13 anos, o destemor e o senso de justiça, traços marcantes
revelados quando ainda era muito novinha, faziam com que ela acolhesse
mendigos e doentes, transformando a casa da família, na Rua da
Independência, 61, no bairro de Nazaré, num centro de atendimento. É
nessa época, em que sua casa ficou conhecida como ‘A Portaria de São
Francisco’, tal o número de carentes que se aglomeravam à porta, que ela
manifesta pela primeira vez o desejo de se dedicar à vida religiosa, o
que só ocorreria seis anos depois.
Fé
É preciso ver no sofrimento não
apenas a dor, mas também um tesouro que devemos saber explorar em benefício da
nossa alma.
O amor supera todos os
obstáculos, todos os sacrifícios. Por mais que fizermos, tudo é pouco diante do
que Deus faz por nós.
Tudo o que vai com Deus e com fé vai bem.
A beleza está nas pessoas, nas
plantas, nos bichos, em todas as coisas de Deus. É mais intensa ainda nos olhos
de quem consegue ver, acima da simplicidade, a beleza com que ele criou cada
pequeno detalhe da vida.
Caridade
Se o pobre representa a imagem de
Deus, então nunca é demais o que fazemos pelos pobres.
O importante é fazer caridade,
não falar de caridade. Compreender o trabalho em favor dos necessitados como
missão escolhida por Deus.
Cristo nos ensinou a dar o anzol
e não o peixe àquele irmão necessitado. Mas também nos disse para dar água a
quem tem sede e pão aos que têm fome. Então é preciso entender que um faminto
pode não ter forças nem mesmo para pescar. Nesse caso, antes de lhe dar o
anzol, precisamos lhe dar a água e o pão.
Questão social
Não há nada mais forte que um
povo inspirado pela fé. Às vezes amanheço sem nada em casa, e, quando volto,
tenho sempre o necessário para aquele dia.
A minha política é a do amor ao
próximo.
Miséria é falta de amor entre os
homens. Deus não gosta de insensíveis.
A essência humana
A preocupação com os bens
materiais é natural, faz parte da vida do homem. Mas o importante, o que de
fato valoriza a vida, são os gestos que rendem juros e correção na conta aberta
em nome de cada um de nós no banco do céu.
Sempre que puder, fale de amor e
com amor para alguém. Faz bem aos ouvidos de quem ouve e à alma de quem fala.
A Obra
Foi o nosso povo, com a sua fé, e
sob a inspiração de Deus, que construiu toda essa obra.
Quando nenhum hospital quiser
aceitar algum paciente, nós aceitaremos. Essa é a última porta e por isso eu
não posso fechá-la.
A gente vive em função da vida
dos pobres. Vivemos os problemas deles o pobre, o doente que vem à nossa porta,
é um outro Cristo que nos procura. E nós devemos recebê-lo de braços abertos,
fazendo tudo por ele.
Se fosse preciso, começaria tudo
outra vez do mesmo jeito, andando pelo mesmo caminho de dificuldades, pois a
fé, que nunca me abandona, me daria forças para ir sempre em frente.
Esta obra não é minha. É de Deus.
E o que é de Deus permanece para sempre.
Fontes: CNBB
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